Artigo, Varejo Inteligente

O que é CMV e como posso calculá-lo?

16/03/2017

CMV

Gerir um negócio é tarefa de grande responsabilidade. Quando se trata da parte financeira, então, esse compromisso aumenta e fica ainda mais delicado. Um dos recursos da contabilidade que ajudam a manter a segurança e a visão da saúde financeira do negócio é o Custo de Mercadorias Vendidas (CMV).

Por mais que os serviços contábeis sejam executados por pessoas da área, é fundamental estar ciente sobre os cálculos mais necessários, como eles funcionam e por que são tão essenciais.

Neste texto, vamos explicar um pouco sobre o que é o CMV, sua importância, como calculá-lo e como integrá-lo a outros cálculos também importantes, como é o caso da margem de contribuição.

Você vai aprender que muitas vezes um cálculo simples pode salvar a sua organização de um grande desastre financeiro. Compreenderá também que cada detalhe de receitas e despesas deve ser observado para, assim, se obter sucesso no empreendimento e uma boa gestão.

 

O que é CMV?

O Custo de Mercadorias Vendidas (CMV) nada mais é do que o cálculo detalhado de todas as despesas obtidas durante o processo de venda de uma mercadoria. Isso inclui os custos com produção, transporte, armazenamento e cada detalhe que antecede a venda.

Esse cálculo ajuda a ter uma visão correta sobre os gastos e lucros do negócio, além de ajudar você a decidir a melhor composição de preço para cada uma das mercadorias.

 

Por que é importante calcular o CMV?

O CMV é fundamental, pois dá a real noção de quanto se gastou até que o produto chegasse à prateleira — física ou virtual —, ficando à disposição do consumidor. Ao desprezar os detalhes do processo, até os mais simples, perde-se em lucro.

Aliás, o simples fato de ocupar a prateleira já gera custos para a organização, e o CMV também abrange esse fato.

Sua importância está no fato de mostrar a realidade nua e crua para os gestores e, consequentemente, apontar os itens que precisam de revisão e adequação, para que não causem prejuízos em vez de gerar lucro.

A falta de cálculo do CMV pode ser extremamente nociva para a saúde do negócio. Por isso, mais que importante, é essencial. A correta definição do CMV faz parte de uma gestão eficiente e segura.

 

O que preciso saber antes de calcular o CMV?

Antes de falarmos de CMV, é preciso falar de estoque e controle de insumos.

Inventário de estoque

Identificação, contagem e classificação de todos os produtos disponíveis no estoque da empresa. Ajuda não só a controlar a entrada e saída de mercadorias, mas a manter os pedidos dos clientes sempre disponíveis.

Para calcular corretamente o CMV, é preciso, antes de tudo, organizar corretamente o estoque e os insumos da sua empresa e manter essas listas atualizadas. Isso porque, para chegar a um resultado correto, você precisará desses dados.

A organização é fundamental por vários motivos. O primeiro deles é que você consegue analisar o cenário, compreender o que está faltando ou sobrando e, assim, manter um fluxo de compras ideal — nem para mais, nem para menos —, fazendo o estoque girar e gerar lucros.

Em segundo lugar, a organização permitirá uma conta mais apurada do CMV, já que esse cálculo depende de números de estoque, compras, vendas e devoluções.

 

Como calcular o CMV?

Com controle de estoque, custos e inventário organizados e atualizados, fica mais simples fazer o cálculo correto. Some o estoque inicial (EI) com as compras do mês (ou período) (C) — lembrando de incluir aqui os produtos devolvidos — e subtraia desse valor o inventário, ou estoque final (EF). A fórmula fica assim:

CMV = EI+C-EF

Um exemplo prático: no começo do mês, você possui R$10 mil em mercadorias no seu estoque. Ao longo desse período, seu setor de compras investiu mais R$3.500 em mercadorias. Depois de 30 dias, o estoque chega a R$500. Com esses valores, podemos dizer que o seu CMV é de: R$11 mil.

Descobrir o CMV dos seus produtos é fundamental para a composição de um outro cálculo que também é muito importante: a margem de contribuição.

 

O que é margem de contribuição?

A margem de contribuição é o recurso (em dinheiro) que sobra da receita adquirida por meio da venda das mercadorias. Isso, claro, após retirar o valor dos custos diretos.

É importante acompanhar esse valor bem de perto para que não se corra o risco de cobrar menos do que o devido sobre a mercadoria e, assim, gerar prejuízos para o negócio.

Vamos a um exemplo prático no próximo tópico.

 

Como calcular a margem de contribuição?

Para calcular a margem de contribuição, é necessário usar a seguinte fórmula:

  • MC = PV-(CMV+DV) — onde: MC = Margem de Contribuição Unitária;
  • PV= Preço de Venda Unitária;
  • CVM = Custo de Mercadorias Vendidas;
  • DV = Despesa Variável Unitária.

Analisando um cenário fictício, por exemplo, onde sua empresa vende copos decorados:

  • o preço do copo é R$7;
  • você vendeu 500 copos no mês passado;
  • o custo do copo (fornecedor) é de R$3;
  • os impostos, juntos, somam 10%;
  • as comissões da equipe de vendas 3%.

Nesse caso:

  • receitas: 7×500 = 3.500
  • custo mercadorias vendidas: 3×500 = 1.500
  • despesas variáveis: (R$7 x 500 x 0,1) + (R$7 x 500 x 0,03) = 350+105 = 455

O cálculo da margem de contribuição fica, então, assim:

 3.500 – (1.500+455) = 3.500-1955 =1.545

A margem de contribuição é R$1.545. Calculando esse valor, é possível compreender se as suas vendas estão ou não sendo suficientes para reabastecer o estoque, pagar todas as despesas e ainda oferecer lucro.

Lidar com o varejo é uma tarefa que exige muito esforço e dedicação; tanto para manter seus estoques em dia, atendendo às necessidades do cliente, quanto para acompanhar a entrada e saída de mercadorias. Além disso, é preciso verificar os valores e trabalhar por uma composição de preços justa e lucrativa para a empresa.

Esperamos que este texto, onde falamos sobre o CMV, possa ser útil para ampliar seus conhecimentos sobre o tema. Convidamos você a deixar suas contribuições, dúvidas ou sugestões nos comentários.

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